sábado, 10 de abril de 2010

LERDEZA DERRAMADA

A essa velocidade... será uma eternidade até chegar em casa! Moço, não dá pra ir mais depressa? Moço? Estou no limite, senhora! No limite da marcha ré, quase parando! Pensou. A vista é bonita, mas também cansativa: belo, belo, belo. O tempo frio, a neblina, aaah, uma vontade de chegar logo. Tudo se arrastando. Fecho e abro os olhos e pareço estar no mesmo lugar. Quando descansamos além da conta, ficamos mais cansados. Uma moleza! Falta coragem, falta tudo! Amanhã ligo para Circe, para ver se almoçamos juntas. Moço? Já disse, senhora, é por segurança! Abgail estava num estado de espírito líqüido. Sua pressa era para fazer nada. Chegar. É o que queria. Descansar do descanso que teve, do longo final-de-semana em que não fizera nada, como se não bastara às horas que tivera deitada, sentada, sempre conversando, quase sempre, mais deitada. Lembrou da moleza de uma amiga que tivera. As duas ali, na cadeira do banco, com a senha na mão, esperando: 113. Alguém vira para a amiga e pergunta: moça, pegue a minha, 39. Obrigada! Nada não! As pessoas sempre me dão senhas e assim eu nunca espero muito. Cá com meus botões: também, com essa cara de doente! E estava eu: mole e com cara de doente.
A casa estava próxima, agora. De longe Abgail vê um perfil reconhecível, Cendira, parada à porta, como se adivinhasse sua chegada. Premonição, ela tinha dessas coisas! O que terá acontecido? Cendira à minha porta? Motorista, obrigada, desculpe-me pelo aperreio! Eu que agradeço pela preferência! Me veio um arrepio. O que houve?

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