quarta-feira, 13 de janeiro de 2010

TESTEMUNHO

E se quando eu chegar ela estiver chorando? Pôs as mãos nos bolsos ao descer do carro. Estacionara devagar, evitando o alarde da chegada. Indagou-se, uma vez mais, sobre como deveria agir em tal situação. Sabia como Circe era de prantos, de lágrimas muitas, sempre o comovera daí esta prolongação na vida conjugal, apesar de - e era convicto disto - saber que nunca cederia à separação, motivado pelo dinheiro. Acreditava que seria lesado, que seu esforço na estruturação da ótica lhe daria o direito pleno sobre ela. Não a dividiria! Estes pensamentos voltaram a sua cabeça. Sonhava com o dia que Circe imploraria pela separação, rejeitando qualquer percentagem no negócio, frente ao orgulho de voltar a ser uma mulher auto-suficiente, ela acreditava nisso e ele sabia. Poderia usar, bastaria prolongar o casamento até ele exaurir-se, até não restar nada. Mas o que ela pensaria de mim, naquele momento, na consumação de minha astúcia? De certo ela compreenderia, teria a claridade no pensamento do que eu fizera. Seria deslealdade minha, salvaguardar o fruto de meu trabalho? Amor houvera. Nem lembro mais - às vezes. Nunca pensei que fosse eterno. O amor, para mim, sempre fora uma coisa a se buscar.

2 comentários:

  1. Esse jorge é meio mala, hein. Será que algo na infância o fez assim, escorregadio?

    Valeu.

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  2. Que homem mesquinho. Prefere trair a mulher a dar o divórcio só para ela não brigar por metade dos bens. Sei não hein, esse cara é perturbado...

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