quarta-feira, 6 de janeiro de 2010

MOEDAS

Deveria chorar, ou ficar abatida? Quem sabe tenho um daqueles passamentos, daqueles, típicos em pessoas que recebem notícias como a recebida por mim, hoje no final da tarde. Minha irmã caçula, Cendira, ligou-me: papai faleceu. A reação que tive? Bem, acho que não tive reação alguma. O senhor Idalino era como um estranho, pior: alguém para esquecer, sem o menor receio. Nosso laço de sangue, teria significado? O homem que me tratava com dureza, acre em todas as ações dirigidas a mim, seria merecedor de uma lágrima sequer - por menor que fosse - a rolar em minha face, ou mesmo ameaçar nascer e findar, ainda nos cílios? Chorem, não tenho lágrima, não para ele. Quis matá-lo, muitas vezes. Matá-lo muitas vezes! Com o tempo, nem isso. Despendera muita energia odiando. Estou compelida a entristecer-me, mas por minha mãe. Sofreu - calada - mais que os cinco filhos que teve.
Cendira calou-se ao ouvir que dissera a mamãe que só a visitaria depois da morte dele, e que não iria ao enterro. Pronto: ele morreu. No entanto seu corpo ainda está lá, só após o enterro ponho meus pés de volta àquela casa. E que ninguém se admire se, por esses dias, eu quiser por a casa a abaixo e reconstruí-la, não antes de queimar o solo com sal.

5 comentários:

  1. Agora eu não entendi,quem esta falando?

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  2. Abgail, filha de Idalino, agora falecido. O senhor Idalino aparece no primeiro capítulo "Supurando".

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  3. Só estou esperando essas pontas todas se unirem!

    Valeu.

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  4. Mário, a pesoa acostumada com a duração de um conto, sofre, meu amigo e mentor. Tenho que tirar palavras das entranhas.

    Erick Camilo

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  5. Agora eu não entendi mais nada. Só sei que o cara morreu

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